quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Réu confesso

Dolosamente estas cometo
na ruidosa madrugada muda.

Tudo o que em mim
lateja,
a ponta em tinta goza
por absolvição.

Sou livre pólvora
da alforria,
que escapa pelos furos deste –
antes virgem e branco.

Aqui, ante vós,
meus pecados são veniais.

Ó deliciosa fornicação:
eu peco, vós cumpris pena.

Se única palavra minha ledes
liberto-me em teu fardo
do insuportável e vitalício
múnus
de juiz meu.

Réu confesso
ganha um olho.
Testemunha una,
perde a visão.



"Somente a consciência individual do agente dá testemunho dos atos sem testemunha, e não há ato mais desprovido de testemunha externa do que o ato de conhecer." Olavo de Carvalho

2 comentários:

Doktorarbeitfest disse...

Gostei deveras!!!!
:)
É de sua autoria?

bjs!

Dolfo disse...

Pois é primo. Teu blog proporcionando bons links poéticos. A moça tem talento.

Abraço no primo!

e Beijo de Parabéns pra moça!