quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

c´est carnaval!

imaginô? agora amassa
carmelitas
boitata
bangalafumenga
barbas
sobrinhos do tio bio
corre atrás
mão de lata
mulheres de chico
.........e dá-lhe confete e serpentina!!

a sparkling wine

O champanhe estava na geladeira. Ele pensava que ninguém dele poderia beber, a não ser ela, vítima de seu próprio veneno. Em casa, sozinha, ela pensava no triste fim do espumante. Talvez ele não soubesse que na vitória ou na derrota, sempre tim-tim. Talvez ele não tivesse percebido que aquela garrafa nasceu numa terra que já fora muito banhada a sangue. Talvez ele ficasse constrangido em beber daquele vinho, que era seu, mas presenteado por ela. Aquela criatura linda, que agora lhe parecia falsa. Assim como aquele frio e cintilante antídoto na geladeira, que já lhe parecia traiçoeiro. Se tomasse daquela garrafa maldita, não bebida no tempo que ainda era tempo, sabe lá... Não deveriam ter deixado pra depois. Agora, acabou. Ele sozinho, deitado naquela cama de casal, temia abrir a geladeira. Nela, o outro. Intacto e frio como o recém término da relação. Tudo intacto demais pra borbulhar. Ela tentou remexer, voltar atrás, que fosse pra brigar. Mas ele, diplomático ao extremo, de uma calma que zomba do fim, de uma proteção exagerada, uma não entrega barata. Para ela, que sofresse, que chorasse, que gritasse, mas que vivesse. Assim, no cinema, o final só é bom quando denso, seja “feliz” ou não. Conseguiram pôr um fim não dramático e não entendam que isso seja um bom fim. É um fim bom, entalado e enlatado. Preferia nem olhar aquela garrafa. A menos que um dia ela retornasse, dizendo-se arrependida e cheia-de-amor-pra-dar. Se girasse pouco que fosse da rolha, estouraria tudo, até a garrafa, ah essa era capaz de quebrar todinha... Não ousaria!

Assim permaneciam, os três, intactos. Ela, que não lhe ligaria para explicar que o champanhe não só brinda vitória, como cura derrota. Ele não entenderia se ela telefonasse pra dividir a garrafa. Talvez a idéia do eterno retorno não lhe agradasse. Amor fati ou não? temos que decidir...Talvez para ele Ana Karenina fosse uma louca mas, guiada pela beleza ela fez de um fraco triste fim, um trágico belo fim e romanceou sua vida como quis.

Bom, a garrafa? permaneceria intacta, símbolo não de uma explosão da derrota, mas da implosão de um fracasso.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

glutona

"Pesquisar e estudar ingredientes tão profundamente quanto estuda a história do país que visita; ser intrépida e impávida com texturas, sabores e saliências obscuras; encarar um prato principal, uma entrada e uma sobremesa, sempre!, e sem pensar na balança; ter um marido que adore uma mulher rechonchuda; nunca deixar de provar especialidades locais, principalmente se recomendadas por pessoas simples e humildes; caso a morte lhe "acometa" durante a viagem, que seja por indigestão (!) e que em seu epitáfio, haja obrigatoriamente a inscrição: "aqui jaz "Larissa", a glutona, enterrada sem caixão, abraçada em cogumelos e trufas, por entre tubérculos e debaixo de uma horta".

roubei da "Cris Beltrão" do Bazzar.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Ele, de novo

Subia em vagar ritmo
pelos entremeios dos dedos do pé,
a começar do mindinho.
Não iludia, nem desiludia,
fazia cócegas.
E dele ria, charmosa,
sorriso de lado,
aquele que só a segurança nos traz.
E sorrindo, me distraindo,
ele veio alado,
serpenteando tornozelo,
bambeando joelhos,
tomando-me as coxas,
abrançando-me as ancas e cintura
com vigor e desvario.
Tomou-me assim, como peça inteira
de açougue, em abrupta imobilização.
Gargalha de minha condição,
regozija-se de seu ataque sorrateiro.
Fazia-me cócegas e
agora, pega-me direto para convulsão,
em movimentos senos e obscenos.
Ris? Pegou-me, pega-te, pega-lhe, do mesmo jeito,
bobos e alheios que somos,
como pato caímos no conto
de quem nos foi desde meninos
apresentado.

domingo, 13 de janeiro de 2008

Samba

No grácil pestanejar
Das saias cintilantes,

Na doce volta
Da iôiô cambiante,

Na cadência
Da dupla reverência,

No mancebo
Que (des)honra
A mocinha-placebo,

No breve luzir
Dos dentes d´ouro
(rir do malandro),

No gemer rouco
Do entrebeijo louco,

No “pensar-me tua”,
passo que pisca
pra morena semi-nua,
Orgíaco mago do salão.

comecinho

Antes do lufa-lufa
do lusco-fusco,
vem mansinho, o dia.

Qualquer grande prosa,
pela misteriosa maiúscula.

Até a que nos embala
não chega assim
de refrão.

Com tímidos acordes
me acorde
maiúsculo como a Aurora.

Há de tardar e,
decerto,
te amarei.

Mas para que dure mais nosso dia,
venha pelo laranjar desse comecinho.

OSSEVA

Etiquetas pra fora,
Por onde olhe.
Amorfos seres,
Justo quando zoom.
A lente embaça e
É perto do beijo.
O marketing me içou.
Emburreci.
E nem TV mais vejo.
Me enrolam
Com leveza e gastura
como meia-calça e unha.
Complô.
São todos:
Me espiam, me enganam, pior,
Me delatam, eu sei.
Enlouqueci, sinto.
Náuseas ao pensar
Que me interesso.
Rasgo páginas do
Livro preferido.
Trauma de chegar perto
E nunca ser aquilo.
Não entendo:
Se tivessem-me do avesso,
Não mais teria cabelos.